terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Placar

Após nove meses, pausa justificada basicamente por Nunca mais vou filmar, volto a escrever para a Placar. Com dois textos.

O primeiro, intitulado No jardim do Eden e que abre a seção Planeta Bola, trata de Hazard, o prodígio do Lille tido como uma mistura de Messi e Ronaldo. Lógico que existe, na comparação, uma parcela de exagero e outra de otimismo, mas vale a pena observar o rapaz.

Já a outra, na mesma seção, é uma nota sobre Jürgen Klopp e seus métodos. O título dela é Sucesso na corda bamba.

Podem cornetar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vale, sim

O Liverpool só se rendeu aos milhões do Chelsea, só permitiu a saída de Fernando Torres, após a garantia de ter um outro camisa 9. Mas é provável que a maioria não só duvide que Andy Carroll possa ser um substituto à altura do atacante espanhol, como também ache que ele não vale os cerca de 40 milhões de euros pagos aos Magpies.

Para começar, nenhum mercado interno é tão caro quanto o inglês. Depois, o valor investido nele é pouco mais de dois terços do que foi recebido por Torres.

Com relação ao que importa, no Newcastle, onde ninguém menos que Paul Gascoigne iniciou a carreira, o mais jovem a atuar em uma competição europeia, com 17 anos e 300 dias, é justamente Carroll. Após passagem pelas equipes sub-19 e sub-21 da Inglaterra, já foi chamado por Fabio Capello para a seleção principal, e se o fato de ter sido o artilheiro da segunda divisão pode ser pouco, seus números na atual temporada não o são. No momento em que aconteceu a transferência, ele era o terceiro na tabela de artilheiros, com 11 gols, atrás apenas de Tévez e Berbatov, e à frente de nomes como Drogba, Rooney e Fernando Torres. Quando o assunto é a quantidade de assistências, exceção feita a Drogba e Rooney, suas seis são também superiores às dos outros três – inclusive do Niño.

Kevin Keegan, um dos maiores atacantes que a Inglaterra já conheceu, disse que Carrol “está provavelmente no top-3 dos melhores cabeceadores que eu já vi no futebol”. Aos que queiram resumi-lo a isso, valem as palavras do técnico do Blackpool, Ian Holloway, no último setembro, quando o atacante do Newcastle tinha 21 anos. “Carroll é o melhor centroavante da Premierleague”.

Verdade que ele não é um atleta perfeito, e seu recheado currículo fora de campo é prova disso. De agressão a ex-namorada (quando alegou ser auto-defesa) a briga com companheiro de clube Steven Taylor, passando por confusão em clube noturno. O que, convenhamos, não é nada gritante para os padrões ingleses. Especialmente se, dentro de campo, ao contrário do que muitos imaginam, Carroll faz a diferença.

Ps: Como outro adendo positivo, o Liverpool vendeu muito caro um jogador com 27 anos que, aliado ao recheado histórico de lesões, dentro de duas ou três temporadas não vale metade do que valor de hoje, e tende a jogar cada vez menos. Especialmente no caso dele, muito dependente da explosão. Assim como Carroll e seus 22 anos, Luis Suárez e seus 24 recém-completados ainda têm o melhor por vir.

sábado, 25 de setembro de 2010

Incerteza*

Com 18 anos, ele fez bem um Paulista e uma Copa do Brasil, decididos, de fato, muito mais por um companheiro de clube. Com 18 anos, até Robinho e Diego, que não resultaram em metade do que prometeram, fizeram mais que ele. Com 18 anos, Ronaldo, com currículo superior à soma dos três, já havia obtido mais que ele. E todos, sem exceção, já eram mais maduros.

Com 18, no entanto, Zidane engatinhava. Messi também.

Aos 13, o último tinha problema de crescimento, nenhum clube na Argentina quis bancar seu tratamento, e ele foi à Espanha, com família, como um autêntico pedinte. Com a mesma idade, Neymar já era estrela recheada de vídeos e de publicidade como “novo Robinho”.

Aos 18, Lionel era coajduvante em início no "time de Ronaldinho". Com a mesma idade, Neymar demonstra convicção de ser o maior da história – quando talvez nem seja o melhor de uma equipe que tem Ganso.

Quero saber de Neymar aos 23. Hoje, os mimos só garantem duas certezas. A primeira, dos escândalos que envolvem a celebridade, de uma grande imprensa que o eleva a um nível que ele (ainda?) não é capaz de manter; a segunda, da incerteza de seu futuro.

* Texto editado da versão original, publicada em www.7cronistascronicos.blogspot.com.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A seleção dos esquecidos

E Mano fez a sua primeira lista. Além do trio de jovens santistas (Ganso, Neymar e André), acertou em chamar o inexplicavelmente nunca lembrado David Luiz – embora seja quase impossível defender o nome de Jéfferson. Ele ainda deixou de fora, no entanto, muita gente boa – seja para a Copa de 2014, seja para as Olimpíadas de 2012, seja até para a Copa América do ano que vem.

Dito isto, aí vai uma seleção com 11 nomes não convocados e que podem (ou devem) receber uma chance no futuro. O esquema é o 4-2-3-1, que agrada a Mano. Quatro deles (em itálico), com idade olímpica.

Rafael – 1990 (Santos). Apesar de poucas partidas como titular, ponderada a idade, tem mostrado segurança acima da média.

Jonathan – 1986 (Cruzeiro). Bola de Prata da Placar na edição passada do Campeonato Brasileiro, com merecimento.
Miranda – 1984 (São Paulo). Se não faz mais tantas partidas monumentais como antes, o time também não ajuda.
Gum – 1987 (Fluminense). Não acho que temos O zagueiro para as Olimpíadas? Temos?
Pará – 1987 (Santos). Posição carente de jovens firmados – o que nem Pará é, e que nem idade olímpica tem. Alguma ideia?

Adilson – 1987 (Grêmio). Lembra Lucas, saído do Grêmio, hoje no Liverpool e na seleção. Já demonstra potencial há algum tempo.
Elias – 1985 (Corinthians). Ausência incompreensível na lista de Mano, nome provável para próximas convocações. Pode ter, no futuro, a utilidade equivalente à de Elano.

Giuliano – 1990 (Internacional). Destaque nas seleções de base, em meio a concorrência forte, já entra em campo vez ou outra.
Bruno César – 1988 (Corinthians). Bem no Santo André, bem no Corinthians, onde já deve assumir a titularidade.
Phillipe Coutinho – 1992 (Inter de Milão). Talvez a grande promessa sub-20 do futebol brasileiro – para mim tem mais potencial que Neymar.

Mazola – 1989 (Guarani). Definitivamente, não dá para dizer que é O atacante que buscamos depois de Careca-Romário-Ronaldo. Mas, formado nas divisões de base do São Paulo, foi destaque no Paulista e tem mostrado futebol no Guarani. Pela idade, talvez amadureça para as Olimpíadas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pelo retorno ao bom gosto

Um dos grandes problemas de Dunga como técnico é que ele não só não soube perder, como não soube ganhar. Na vitória, ao invés de externar alegria, sensação era de rancor guardado – exatamente como no tetra em 1994. Preferia caçar imprensa e torcida que o contestavam para dizer, enfim, que ele estava acertou; não queria ganhar, queria estar certo.

Na derrota, tanto nas Olimpíadas como na Copa, o time foi apático e deu pontapés; não reconheceu os próprios erros nem a superioridade do outro. O extremo oposto do que fizeram Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile no mesmo Mundial. O extremo oposto do que sempre foi a seleção brasileira. No futebol, graças a Dunga (ou Ricardo Teixeira, que o escoheu), nunca o Brasil foi tão anti-Brasil.

Como evitar, então, que algo semelhante aconteça em 2014? Como trazer alguém que saiba perder e saiba ganhar, que tenha competência e mentalidade vencedora, e que saiba trazer empatia para o torcedor brasileiro?

Ricardo Gomes é o menos indicado de todos e Muricy Ramalho lembra demais Dunga. Embora mais competente e com mais conhecimento, é impaciente, pouco polido e não gera o carisma necessário para o caráter extraordinário e único da ocasião. Luxemburgo tem um currículo fantástico, mas também três contras: já teve uma passagem pouco feliz na seleção, vem numa descendente, e cultiva com sucesso sua antipatia.

Parreira, cotado para ser coordenador do projeto, também não pode assumir esse lugar. Ele representa o que de pior já existiu na vitória e na derrota. A Copa de 1994 foi a mais insossa que o Brasil já ganhou, e o fiasco de 2006, embora distinto nos porquês, disputa com 2010 para saber qual foi mais vergonhoso.

O que falta
As duas possíveis certezas são Mano Menezes e Felipão. Pode-se dizer que escolher um dos dois seria, como é necessário, ir na contra-mão do que foi feito para 2010, com uma aposta. Mas o problema, para mim, não é fazer uma aposta, mas fazer uma aposta que foi de encontro a tudo que já foi o futebol brasileiro.

O grande desafio do treinador da 2014, para mim, é trazer de volta o orgulho de torcer pelo Brasil. É necessário alguém que evite a irresponsabilidade e a apatia de 2006, o isolamento e a truculência de 2010. E que trabalhe com um grupo marcado, também, pelo futebol atraente, como historicamente foi, e como não tem sido.

Se Mano e Felipão se encaixam no primeiro caso (e talvez sejam os únicos que se encaixam perfeitamente), têm histórico de não se encaixarem no segundo. Leonardo? Não é conhecido como bom técnico, mas se aproxima do oposto a Dunga. E poderia, pelo histórico e pela personalidade, saber ouvir e falar; saber se relacionar com a torcida, a imprensa e os jogadores que convoca. Visão de futebol parece que não perdeu. Assim, poderia, tranquilamente, trazer de volta o que a seleção e o torcedor brasileiro, nos seus melhores momentos, sempre tiveram em comum: o bom gosto.

Ps: Se rumor se confirmar, Mano ou Muricy devem assumir. Prefiro Mano.