Um dos grandes problemas de Dunga como técnico é que ele não só não soube perder, como não soube ganhar. Na vitória, ao invés de externar alegria, sensação era de rancor guardado – exatamente como no tetra em 1994. Preferia caçar imprensa e torcida que o contestavam para dizer, enfim, que ele estava acertou; não queria ganhar, queria estar certo.
Na derrota, tanto nas Olimpíadas como na Copa, o time foi apático e deu pontapés; não reconheceu os próprios erros nem a superioridade do outro. O extremo oposto do que fizeram Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile no mesmo Mundial. O extremo oposto do que sempre foi a seleção brasileira. No futebol, graças a Dunga (ou Ricardo Teixeira, que o escoheu), nunca o Brasil foi tão anti-Brasil.
Como evitar, então, que algo semelhante aconteça em 2014? Como trazer alguém que saiba perder e saiba ganhar, que tenha competência e mentalidade vencedora, e que saiba trazer empatia para o torcedor brasileiro?
Ricardo Gomes é o menos indicado de todos e Muricy Ramalho lembra demais Dunga. Embora mais competente e com mais conhecimento, é impaciente, pouco polido e não gera o carisma necessário para o caráter extraordinário e único da ocasião. Luxemburgo tem um currículo fantástico, mas também três contras: já teve uma passagem pouco feliz na seleção, vem numa descendente, e cultiva com sucesso sua antipatia.
Parreira, cotado para ser coordenador do projeto, também não pode assumir esse lugar. Ele representa o que de pior já existiu na vitória e na derrota. A Copa de 1994 foi a mais insossa que o Brasil já ganhou, e o fiasco de 2006, embora distinto nos porquês, disputa com 2010 para saber qual foi mais vergonhoso.
O que faltaAs duas possíveis certezas são Mano Menezes e Felipão. Pode-se dizer que escolher um dos dois seria, como é necessário, ir na contra-mão do que foi feito para 2010, com uma aposta. Mas o problema, para mim, não é fazer uma aposta, mas fazer uma aposta que foi de encontro a tudo que já foi o futebol brasileiro.

O grande desafio do treinador da 2014, para mim, é trazer de volta o orgulho de torcer pelo Brasil. É necessário alguém que evite a irresponsabilidade e a apatia de 2006, o isolamento e a truculência de 2010. E que trabalhe com um grupo marcado, também, pelo futebol atraente, como historicamente foi, e como não tem sido.
Se Mano e Felipão se encaixam no primeiro caso (e talvez sejam os únicos que se encaixam perfeitamente), têm histórico de não se encaixarem no segundo. Leonardo? Não é conhecido como bom técnico, mas se aproxima do oposto a Dunga. E poderia, pelo histórico e pela personalidade, saber ouvir e falar; saber se relacionar com a torcida, a imprensa e os jogadores que convoca. Visão de futebol parece que não perdeu. Assim, poderia, tranquilamente, trazer de volta o que a seleção e o torcedor brasileiro, nos seus melhores momentos, sempre tiveram em comum: o bom gosto.
Ps: Se rumor se confirmar, Mano ou Muricy devem assumir. Prefiro Mano.